Vamos recapitular a trajetória da seleção brasileira de futebol para esta Copa do Mundo no Brasil. Após a derrota em 2010, o técnico chamado para reformular a seleção canarinho foi Mano Menezes (um profissional que tinha basicamente títulos da Série B com grandes times) mesmo havendo opções como Muricy, Tite, Guardiola (quem sabe). Tudo bem que o currículo do Mano não é dos melhores, mas pelo que estava ocorrendo parecia que, ao final da preparação para a Copa, teríamos um time rápido com um estilo moderno de jogar. Mas a presidência da CBF acabou mudando e o José Maria Marin acabou assumindo. Um político apoiador da ditadura que não entende nada de futebol e do que o futebol precisa. Está neste cargo apenas por contatos e não por competência. Qual foi uma das suas primeiras ações no poder? Tirar Mano e colocar Felipão. Este técnico defasado, dinosssauro que vive das suas glórias do passado, que treinou diversos times (e.g. Portugal, Chelsea, Palmeiras) sem sucesso, chegando a ser responsável por rebaixar o último e largar o posto de técnico antes do contrato para não ser tido como responsável, mas o campeonato que vimos foi claro: Felipão não se atualizou, não aguenta uma competição longa e não tem visão plena do que fazer diante de crises.

Concordo que a seleção brasileira não vinha fazendo aparições esplendorosas com Mano no comando, mas o seu trabalho não era ter admiradores, seu trabalho era preparar um time sólido para a Copa. E acredito que isso ocorreria. “Dê tempo ao tempo”, um time vencedor não se cria da noite pr’o dia e a Alemanha nos mostrou isso da forma mais dolorosa, a pior partida da História da nossa seleção. Há de haver consistência no trabalho realizado.

Felipão fez uma bela Copa das Confederações, mas com seleções desempenhando um futebol abaixo dos seus respectivos níveis e uma Espanha já superada. Aquele 3 a 0 nos fez sonhar com a taça Jules Rimet. Ganhamos da atual campeã do mundo! Temos potencial para vencer a Copa do Mundo sem maiores problemas! Mas era tudo ilusão. Ilusão de que os problemas do futebol brasileiro não iriam atrapalhar a nossa seleção em solo nacional.

Chegando a Copa no Brasil, nossa mídia também teve papel central nessa “queda do cavalo”. Publicações que colocavam ainda mais pressão sobre os ombros dos nossos jovens jogadores, jogadores de uma seleção renovada, inexperiente e com uma liderança retrógrada. A culpa não é tanto dos jogadores, mas da estrutura que os levou a disputar essa fatídica partida. Incluo aqui também a arrogância do Felipão e do seu comparsa, Parreira, que teve a audácia de dizer que a CBF é o Brasil que dá certo.

Voltando à seleção, em 2002, Felipão tinha ao seu dispor uma gama de opções de jogadores brilhantes (e.g. Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos). Era fácil lidar com essas peças, todos sabem jogar MUITA bola, todos eram mitos do esporte. O que esse time precisava era de um técnico que os desse confiança, como o bigodudo fez com Ronaldão. Em 2014, temos Fred como centroavante, Neymar (22 anos) como camisa 10, Hulk na pura vontade (mas também na falta de habilidade). Na defesa estávamos bem, mas quando o time não treina nem saída de bola fica difícil passar por um time bem estruturado.

Uma das coisas mais emblemáticas foi a camisa “flamenguista” da Alemanha, mostrando, simbolicamente, como a zoeira no cenário nacional (convenhamos que o Flamengo é sórdido demais e possui uma torcida brasileira gigante) acaba por prejudicar ele mesmo. 7 a 1, perdemos de lavada para nós mesmos (Brasil). Foi a derrota do famigerado “caô”, das gestões ineficientes, corruptas, falidas, da falta de visão e ação em prol do coletivo.

Não perdemos apenas no dia 8 de julho de 2014, perdemos muito antes.

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