Ultimamente tenho me inquietado com a questão da exploração do trabalhador pelo empregador. É uma questão “velha” que volta aos holofotes, dado o cenário do nosso querido capitalismo (me lembrou a música: “Homem primata! Capitalismo selvagem…”). Pois é, a mais-valia (conceito criado por Karl Marx) volta à tona e ao cerne das discussões contemporâneas (será que saiu do cerne em algum momento?).

Tenho lido conteúdo a respeito e vejo que não é apenas uma inquietação minha. Mais e mais blogs e portais de notícia mostram a verdadeira face do nosso sistema econômico (que impacta nossos valores, cultura, relações interpessoais, política etc.). É um sistema falido, maléfico, auto-destrutivo e desvairado.

Cada vez mais jovens recém-formados continuam a morar com os pais (isso é completamente aceitável). O que não é aceitável é a razão disso. Os salários de entrada no mercado estão caindo, enquanto as jornadas aumentam juntamente com a cobrança, sem citar o alto custo de vida de uma cidade grande.

Enquanto estes jovens sonham em ter uma carreira brilhante e trabalhar por amor, chefes/donos das empresas aumentam seus rendimentos pagando mal um funcionário que tem de produzir alucinadamente, sob a pena de perder o emprego e talvez até sua reputação. Isso acarreta em perdas inestimáveis na saúde física e mental dos empregados, além dos prejuízos nas famílias e círculos de amizade. São milhões e milhões de pessoas nesta situação. Geração Ritalina e Cafeína, que precisa se dedicar 200% ao trabalho (e 0% a todo o resto). A ganância está se consumindo avidamente. Transformando seres humanos em robôs-produtores-consumidores-criativos-inovadores-semvida. (me lembrou outra música: “Harder, better, faster, stronger”).

Sustentabilidade nunca esteve tão em voga. Mesmo assim, quantas pessoas sabem que sustentabilidade engloba também o âmbito social? Não é apenas plantar árvores que salvará o planeta. Precisamos de qualidade de vida, pensar que estamos lidando com pessoas. Pessoas que têm famílias e amigos. Pessoas que têm sonhos e necessidades. Pessoas que têm histórias e futuros.

O Homem, no auge de sua ignorância e arrogância se acha inabalável, inatingível, enfim, invencível. Mas a equação é simples, se tiramos mais do que plantamos, inevitavelmente a fonte secará, a insatisfação se instalará. O sistema, por fim, morrerá vítima de si mesmo.

Não sou tão sonhador a ponto de achar que agora todos serão sócios, parceiros. Acredito apenas que o justo basta, mas ainda não chegamos lá.

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